O presidente americano Barack Obama admitiu que um acordo diplomático
proposto pela Rússia poderia evitar uma intervenção militar na Síria se
ele realmente for cumprido. Pela proposta russa, o regime sírio teria
que colocar todo o arsenal de armas químicas do país sob controle
internacional e depois destruí-lo.
O caminho diplomático sugerido por Moscou agradou ao governo americano
já que assim os Estados Unidos evitariam entrar em um conflito que mais
da metade dos americanos não quer nem saber. Nesta segunda-feira (9), o
presidente Barack Obama, em entrevistas às redes de TV americanas, disse
que está levando a sério a proposta da Rússia. Por causa dessa
proposta, o senado americano anunciou que vai adira a votação sobre um
ataque à Síria. A votação aconteceria na quarta-feira (11).
Em uma das entrevistas, Obama disse que não tinha certeza se conseguiria
apoio do Congresso para uma ação na Síria, apesar de acreditar que ela
seria o melhor para os interesses americanos.
O secretário de Estado John Kerry disse nesta segunda-feira (9) em
Londres, na Inglaterra, que há provas de que o ataque com armas químicas
partiu do governo sírio. Ele também falou que a única coisa que poderia
adiar uma ação americana seria a Síria entregar as armas químicas para o
controle internacional. "Mas isso, obviamente, não vai acontecer" – diz
Kerry.
A Rússia gostou da ideia e lançou a proposta para que Bashar al-Assad
colocasse o arsenal que tem de armas químicas sob a supervisão
internacional. Durante uma visita à Rússia, o ministro das Relações
Exteriores da Síria recebeu bem a iniciativa de Moscou e disse que o
país está disposto a estudar o assunto pelo bem da população.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, e o ministro das Relações
Exteriores da França apoiaram a ideia. O secretário-geral da ONU, Ban Ki
Moon, também viu com bons olhos a proposta russa e acredita que ela
poderia ser a base para uma resolução do Conselho de Segurança.
Em uma das entrevistas, o presidente Barack Obama disse que a proposta
da Rússia só aconteceu porque houve pressão americana para uma
intervenção militar no país. Ele acredita que seja necessário manter
essa pressão para que, caso haja algum acordo, ele seja cumprido pelo
presidente sírio. Segundo Obama, é uma solução que não acabará com o
conflito no país, mas evitará novos ataques com armas químicas.
O presidente sírio, Bashar al-Assad, falou à rede de TV CBS que não há
provas de que ele tenha ordenado o ataque que matou 1,4 mil pessoas. Ele
disse que uma intervenção dos Estados Unidos na Síria poderia causar
graves consequências para o Oriente Médio e transformar a Síria no
centro do terrorismo global. Ele falou ainda que a Síria está preparada
para tudo e ameaçou: os aliados de Damasco vão retaliar o Ocidente caso
haja um ataque.
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